Quanto custa regularizar imóvel em Campinas

Regularizar uma casa em Campinas custa, em geral, de R$ 5 mil a R$ 15 mil. Nessa conta entram as taxas da Prefeitura, a multa por ter construído sem alvará e os honorários do profissional. O valor exato depende de três coisas: quantos metros quadrados precisam ser regularizados, o que está irregular e o tamanho da casa inteira.

A seguir, explicamos cada parte da conta em linguagem simples, com os valores de 2026 e a lei de onde cada um sai. No fim, há um exemplo completo e as dúvidas mais comuns.

Em resumo

  • Taxas da Prefeitura: R$ 4,74 por m² a regularizar, mais R$ 182,67 de valor fixo.
  • Multa por construir sem alvará: R$ 25,50 por m², em casa de até 250 m².
  • Honorários da regularização: em média R$ 5.000.
  • À parte, conforme o caso: habite-se, IPTU retroativo, INSS da obra e cartório.

O que entra na conta

O que se pagaQuem cobraQuando aparece
Taxas de análise e fiscalizaçãoPrefeituraNa entrada do pedido
Multa por construir sem alvaráPrefeituraDurante a análise
Outorga onerosa, quando a casa passa do coeficiente de aproveitamento da zonaPrefeituraDurante a análise
Honorários da regularizaçãoEngenheiro ou arquitetoCombinados no início
Habite-se, quando necessárioPrefeitura e profissionalDepois da aprovação
IPTU retroativoPrefeituraQuando o cadastro é atualizado
INSS da obraReceita FederalAntes do cartório
Averbação da construçãoCartório de Registro de ImóveisNo fim

Nem todo caso tem todas as linhas. O IPTU retroativo, por exemplo, só aparece quando a casa ainda consta como terreno no cadastro da Prefeitura. Além disso, os valores da Prefeitura mudam todo ano: os desta página são os de 2026.

As taxas da Prefeitura

A Prefeitura cobra duas taxas para analisar o pedido. Elas são pagas no começo, por guia, antes de o projeto ser analisado. Para casa, os valores de 2026 são:

  • Taxa de análise: R$ 4,74 por m² da área a regularizar. Uma casa de 100 m², por exemplo, paga R$ 474,00.
  • Se parte da casa já foi aprovada antes: soma-se um valor pequeno sobre essa parte, de 2% da taxa de análise. Para 100 m² já aprovados, são R$ 9,49.
  • Taxa de fiscalização: R$ 182,67, valor único.
  • Demolição: se o projeto prevê demolir alguma parte, mais R$ 304,75, também valor único.

Comércio, prédios e outros usos têm valores diferentes.

Fonte: Lei Complementar 443/2023, para habitação unifamiliar. A lei fixa esses valores em UFIC, a unidade fiscal de Campinas, que a Prefeitura corrige todo ano. Em 2026, 1 UFIC vale R$ 5,0996 (tabela oficial).

A multa por construir sem alvará

Quem construiu sem alvará paga uma multa por metro quadrado. Isso vale mesmo para quem procura a Prefeitura por conta própria, antes de qualquer fiscalização. O valor depende de duas coisas: o que aconteceu e o tamanho da casa inteira. Em 2026:

O que aconteceuCasa de até 250 m²Casa com mais de 250 m²
Construiu sem alvaráR$ 25,50 por m²R$ 51,00 por m²
Construiu diferente do projeto aprovadoR$ 10,20 por m²R$ 25,50 por m²

Na prática, quanto dá:

  • um cômodo de 20 m² feito sem alvará, numa casa de 120 m²: 20 × R$ 25,50 = R$ 510,00;
  • uma casa inteira de 120 m² sem alvará: 120 × R$ 25,50 = R$ 3.060,00;
  • uma ampliação de 30 m² sem alvará que faz a casa passar de 250 m²: 30 × R$ 51,00 = R$ 1.530,00. Aqui vale o valor mais alto, porque conta o tamanho da casa inteira, e não só do trecho novo.

A multa chega num auto de multa, que é a notificação com o valor. Quando há mais de uma irregularidade, a Prefeitura costuma emitir um auto para cada uma, e os valores se somam. Por isso, antes de pagar, refaça a conta com a área que está no auto. Se o valor não bater, pode haver erro de cálculo, e cabe recurso dentro do prazo indicado no próprio auto.

Fonte: Código de Obras de Campinas, Lei Complementar 09/2003, arts. 161 e 162, na redação da Lei Complementar 55/2013. A lei fixa esses valores em UFIC, a unidade fiscal de Campinas, que a Prefeitura corrige todo ano. Em 2026, 1 UFIC vale R$ 5,0996 (tabela oficial).

Recuo e área permeável: o que não se resolve pagando

Nem toda irregularidade vira multa. Algumas precisam ser corrigidas na própria construção, porque a lei não permite aprovar a casa como está.

  • Recuo invadido não é aprovado. Recuo é a distância mínima que a casa precisa manter dos limites do lote, definida pela lei para cada região da cidade. Se a construção avança sobre essa faixa, a parte que invade precisa ser adequada para o projeto ser aprovado.
  • A área permeável, em regra, também precisa ser adequada. É a parte do lote sem piso nem cobertura, onde a água da chuva infiltra no solo. Quando ela está menor do que a lei pede, o caminho normal é adequar. Mas há exceções, e elas dependem do que consta na aprovação anterior da casa. Se o projeto aprovado antes não exigia área permeável, a lei permite pedir que ela não seja exigida na ampliação ou na regularização da ampliação, e assim não há multa por falta dela. Já se a planta aprovada traz a área permeável, mesmo que só numa nota, ela precisa ser mantida, podendo ser reduzida até o mínimo exigido hoje. Por isso, cada caso precisa ser analisado com a planta aprovada em mãos.

O pedido de dispensa precisa ser bem fundamentado, com a planta e a data da aprovação anterior. É exatamente o que olhamos no diagnóstico, antes de você gastar com projeto. Para ver as regras do seu lote, consulte de graça a lei que vale para o seu lote.

Fonte: Lei Complementar 208/2018, art. 197, §§ 4º e 5º (redação da Lei Complementar 465/2024).

Um exemplo de conta

Imagine uma casa térrea de 120 m², construída sem alvará e sem nenhuma aprovação anterior. Ela não invade recuo e tem a área permeável que a lei pede. Com os valores de 2026, a conta fica assim:

ItemContaValor
Taxa de análise120 m² × R$ 4,74R$ 568,80
Taxa de fiscalizaçãovalor únicoR$ 182,67
Multa por construir sem alvará120 m² × R$ 25,50R$ 3.060,00
Subtotal da PrefeituraR$ 3.811,47
Honorários da regularizaçãomédia (varia de R$ 4.000 a R$ 10.000)R$ 5.000,00
TotalR$ 8.811,47
Exemplo ilustrativo, com os valores de 2026. A guia da Prefeitura pode diferir em centavos.

Conforme o caso, esse total fica entre R$ 7.811,47 e R$ 13.811,47.

Ficam fora dessa conta quatro itens que dependem de cada caso. São eles: o habite-se, que é um serviço à parte, o IPTU retroativo, o INSS da obra e a averbação no cartório. No habite-se, a Prefeitura também cobra o ISSQN da obra quando a construção tem menos de cinco anos, calculado por estimativa sobre a área. Os outros itens estão explicados a seguir.

IPTU retroativo de até cinco anos

Quando a casa ainda aparece no cadastro da Prefeitura como terreno, o IPTU é cobrado como territorial, que é mais barato. Assim que a construção aparece, seja na regularização, no habite-se ou no recadastramento por imagem aérea, a Prefeitura lança a diferença dos anos anteriores.

Essa cobrança tem limite: a Prefeitura só pode lançar os últimos cinco anos, pelo prazo do Código Tributário Nacional, art. 173. O valor depende do valor venal da casa e de quantos anos ainda podem ser cobrados. Dá para conferir e, em muitos casos, contestar. Veja como funciona o IPTU retroativo em Campinas e quando contestar.

Depois da Prefeitura: INSS da obra e cartório

Com o projeto aprovado e o habite-se emitido, faltam dois passos para a construção constar na matrícula do imóvel:

  • INSS da obra, na Receita Federal. A Receita calcula a contribuição pela área e pelo padrão da casa e, depois do pagamento, emite a CND da obra. Sem essa certidão, o cartório não registra a construção (Lei 8.212/1991, art. 47, II). Em obras antigas, o valor pode cair muito, e às vezes não há nada a pagar. Veja como funciona o Sero e a CND da obra.
  • Averbação no cartório. É o registro da construção na matrícula. Para uma casa térrea comum, fica em geral entre R$ 500 e R$ 950. O simulador do custo da averbação faz a conta com os dados do seu imóvel.

Honorários: quanto custa o profissional

Os honorários da regularização ficam, em média, em R$ 5.000. Conforme o caso, variam de R$ 4.000 a R$ 10.000. São valores de referência de 2026: o orçamento do seu imóvel sai depois do diagnóstico.

Se você também precisa do habite-se, ele é um serviço à parte, com honorários de R$ 3.000 em média. Assim, regularização e habite-se juntos ficam, em média, em R$ 8.000 de honorários.

O que faz o valor da regularização subir:

  • a área a regularizar e o número de pavimentos;
  • quantas irregularidades existem, como ampliação, recuo, área permeável ou uso comercial;
  • o histórico do imóvel: projeto antigo aprovado, alvará vencido, auto de multa já emitido;
  • as exigências que a Prefeitura faz durante a análise (os “Comunique-se”).

Por outro lado, o valor desce quando a documentação já está em ordem: matrícula, IPTU e plantas antigas. No diagnóstico de regularização de imóveis em Campinas, você recebe o que está irregular e o custo de cada etapa antes de começar.

Como pagar menos sem fazer nada errado

  • Confira o auto de multa antes de pagar. Divida o valor da multa pela área do auto: em 2026, tem de dar R$ 25,50 por m² (casa de até 250 m²) ou R$ 51,00 (acima). Se não der, cabe recurso no prazo do auto.
  • Não deixe a multa correr. O Código de Obras manda reaplicar a multa quando o proprietário não toma as medidas de regularização depois da notificação.
  • Verifique se a área permeável pode ser dispensada, quando o caso é de ampliação e o projeto aprovado antes não exigia área permeável.
  • Revise o cadastro do IPTU antes do lançamento retroativo: área ou padrão errados aumentam o imposto e, depois, o cartório.
  • Se recebeu intimação, responda no prazo. Veja o que fazer com a intimação da Prefeitura.

Perguntas frequentes sobre o custo da regularização

Quanto custa, em média, regularizar uma casa em Campinas? Para uma casa comum, de R$ 5 mil a R$ 15 mil, somando taxas, multa e honorários da regularização. O habite-se, quando necessário, é um serviço à parte, com honorários de R$ 3 mil em média. IPTU retroativo, INSS da obra e cartório também vêm à parte e dependem do caso.

Ainda dá para usar a Lei 492? Sim. A Lei Complementar 492/2024, programa para casas em conjuntos habitacionais e empreendimentos de interesse social, foi prorrogada pelo Decreto nº 24.702/2026 até 15/10/2028: taxa isenta e 50% de desconto na multa para quem protocolar até lá. Veja como funciona a Lei 492 em Campinas.

Dá para pagar só a multa e deixar o recuo como está? Não. Recuo invadido não é aprovado, e a parte que invade precisa ser adequada. Na área permeável há exceções, que dependem do que consta na aprovação anterior e precisam de análise.

A multa é cobrada mesmo se eu pedir a regularização por conta própria? Sim. A multa por construir sem alvará incide sobre a área construída sem licença, mesmo quando o proprietário procura a Prefeitura antes de ser autuado.

Casa construída há mais de cinco anos paga menos? Em parte, sim. A taxa e a multa da Prefeitura são as mesmas. Mas três cobranças têm prazo de cinco anos: o ISSQN da obra, que não é cobrado de construção com mais de cinco anos; o IPTU retroativo, limitado aos últimos cinco anos; e o INSS da obra, que a Receita não pode mais cobrar quando se prova que a obra terminou há mais de cinco anos. O histórico do IPTU costuma ser a melhor prova da idade da construção.

Quanto tempo leva? Depende das exigências da análise. Veja o passo a passo da regularização em Campinas.

Quer a conta do seu imóvel? Mande o endereço pelo WhatsApp: dizemos o que está irregular, o que dá para regularizar e quanto custa cada etapa, antes de você decidir.

Quem escreveu
Eng. Ana Lucia C. Cavazza Sabadin
Engenheira civil · CREA-SP 5069992055
Membro do Convênio Social: Ministério Público do Estado de São Paulo – MPSP · conferir no CREA-SP
Mestre em Engenharia Civil pela Unicamp · currículo Lattes
Atuação diária na Prefeitura de Campinas, na Sanasa e nos cartórios da cidade.